quarta-feira, 8 de julho de 2015

Quebrando o ciclo: violência doméstica


A violência contra a mulher está presente em todos os segmentos sociais, independentemente da cor, etnia, faixa etária ou classe social.   

Devido à alta incidência da violência contra a mulher, juntamente com a luta das mulheres foi possível a criação da Lei 11.340/2006- Lei Maria da Penha. Conforme esta lei, configura-se Violência Doméstica e Familiar contra a mulher toda e qualquer ação ou omissão que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial, praticado pelo companheiro (a) que faça parte do seu âmbito familiar.
Atualmente as denúncias vêm ganhando maior visibilidade, entretanto, ainda não atinge sua totalidade porque a violência, por diversas vezes, é silenciosa.

A violência não é um episódio, é um processo, um ciclo contínuo, que sem a quebra, tende a permanecer alternando tensão, violência e pedido de desculpas. O ciclo da violência é composto por três fases: A construção da tensão (agressões verbais, crises de ciúmes, ameaças, etc.), a explosão da violência (descontrole e destruição) e por fim, a lua de mel (arrependimento do agressor e a promessa de que a violência não ocorrerá novamente). O ciclo da violência não é circular, porém é padronizada e caracteriza-se pela sua continuidade no tempo. 

A vítima de violência doméstica, geralmente apresenta baixa autoestima e se encontra atada em relação ao agressor, seja por dependência emocional ou material. A relação é construída através do medo, culpa e insegurança, desencadeando consequências como: isolamento social, sentimento de culpa, insegurança, depressão, transtornos de ansiedade, entre outros.

Ao contrário do que se pensava, é possível enfrentar a violência doméstica e suas consequências, buscando o atendimento especializado em centros de referência da mulher, hospitais, delegacia da mulher e no atendimento psicoterápico.
O tratamento clínico e psicológico é essencial para a vítima garantindo a minimização das consequências emocionais que contribuem para a sua insegurança e vulnerabilidade. 

*O texto é apenas informativo e não substitui o atendimento psicoterápico oferecido pelo psicólogo. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Adolescência: uso e abuso de drogas



O adolescente é considerado um grupo de risco em relação ao uso e abuso de drogas devido às constantes transformações psíquicas e físicas próprios desta fase. 

Em busca de novas experiências e desafios, o adolescente acredita ser ilimitado, mas ao mesmo tempo, sente-se inseguro diante das transformações, o que o torna vulnerável. É nesse momento, que o adolescente procura descobrir e firmar a sua identidade, surgindo dúvidas e questões de várias ordens expondo a inúmeros riscos, como a experimentação e o abuso das drogas. 

Apesar do uso e abuso de drogas não ser algo exclusivo da nossa época, a relação que o adolescente estabelece com a droga atualmente, vem sendo realizado de forma indiscriminada. A utilização de drogas lícitas e ilícitas seja como consumo ocasional, indevido ou abusivo permeia a cultura da adolescência, e no caso do Brasil, notadamente por meio do consumo de álcool, tabaco e maconha. 

Sabemos que a ampla disponibilidade e a presença de drogas na comunidade de convivência do adolescente são fatores que naturalizam o consumo das drogas. Porém, cabe ressaltar, os principais fatores que podem ou não levar ao uso abusivo das drogas pelo adolescente. Entre eles estão:

- a dimensão familiar: A família como modelo primário das relações que o adolescente estabelece em sua vida, serve como forma de proteção ou fator de risco diante das ofertas das drogas oferecidas. É no âmbito familiar que a subjetividade do individuo entra em formação, pois o cenário familiar está intimamente ligado as redes de símbolos e significados que o adolescente vai introduzir em sua vida, além da possibilidade de comunicação 

- social, no qual a escola tem um papel importante na vida do indivíduo, seja como agente transformador, seja como propiciador de um ambiente que aumenta as condições para o uso de drogas. A instituição como um todo é um agente de socialização da criança e do adolescente por ter fortes instrumentos de promoção da autoestima e do autodesenvolvimento, atuando como um fator fundamental para o desenvolvimento do indivíduo. No entanto, mesmo neste local é possível encontrar fatores que predispõem os adolescentes ao uso de drogas, como por exemplo, a falta de motivação para os estudos, o mau desempenho escolar, insuficiência no aproveitamento, dificuldade de estabelecer relações sociais, a influência dos pares, entre outros. 

- individual

- o grupo de pares: O adolescente devido sua necessidade de pertencimento, reconhecimento, próprios desta fase, pode se sentir pressionado a utilizar as drogas por pressão do próprio grupo e para se sentir integrado a ele.

- biogenético (predisposição)

. Entre as justificativas que os adolescentes dão ao uso e abuso de drogas estão a necessidade de estimulação ou calma, experimentação pela curiosidade, a valorização social como forma de pertencimento, problemas relacionados ao sono, suportar situações difíceis ou a própria rotina, relaxar, sentir prazer, alivio da dor, depressão ou qualquer outro sentimento negativo. A droga, por meio do prazer oferecido, preenche lacunas importantes na vida da pessoa, podendo se tornar indispensáveis para o funcionamento psíquico do adolescente. A droga se apresenta como um sintoma das relações familiares combinadas com outros fatores, como a cultura, escola, amigos, entre outros. No entanto, cabe ressaltar, que os fatores de risco que podem aumentar a probabilidade do adolescente ao uso ou abuso da droga não devem ser analisados de forma isolada, independente e fragmentada, o que corrobora para um conceito de postura unicausal e moralista. 

A questão que se estabelece nessa problemática tão frequente atualmente, não fica apenas em eliminar o sintoma (droga), mas sim, um trabalho de analisar e compreender em suma o desenvolvimento do adolescente, suas características e o que está ao seu redor. E assim, possibilitar a reflexão e formas de prevenção em relação ao uso e abuso de drogas.

É importante que as estratégias sejam feitas de forma compreensiva e contextualizada de cada caso levando-se em conta a dinâmica familiar e a história de cada adolescente. 

A psicoterapia neste momento tão importante do desenvolvimento também pode ser um alicerce para a prevenção de tal situação, bem como a possibilidade do tratamento ao adolescente que caiu na armadilha das drogas. 

*O texto é apenas informativo e não substitui o atendimento psicoterápico oferecido pelo psicólogo.



terça-feira, 9 de junho de 2015

TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo)


O Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais conhecido como TOC e popularmente como “mania” é um transtorno de ansiedade caracterizado pela presença de pensamentos e comportamentos obsessivos e/ou compulsivos que consomem tempo significativo do sujeito, trazendo prejuízos em diversos âmbitos de sua vida.

No geral, apresentam pensamentos e comportamentos recorrentes e incontroláveis que podem aumentar ou diminuir ao longo do tempo associado ao estresse. Segundo alguns estudos, os sintomas se iniciam, geralmente, ao final da adolescência e muitas vezes na infância, podendo ser gradativo e crônico. Alguns autores apontam que os pensamentos obsessivos estão intimamente ligados à cultura em que a pessoa vive. 

Na atualidade, os principais pensamentos obsessivos estão associados ao mundo contemporâneo, como o medo incontrolável de perder um ente querido, medo de se contaminar, entre outros medos, fazendo com que o sujeito apresente comportamentos repetitivos e rituais a fim de aliviar a ansiedade frente aos pensamentos. 

Alguns dos sintomas observados referente aos pensamentos obsessivos estão o medo de ser contaminados por germes, bactérias ou qualquer tipo de sujeira, medo de causar danos a si ou ao próximo, foco excessivo sobre idéias religiosas ou morais, pensamentos e desejos de ordem e simetria, entre outros.

Diante dos pensamentos obsessivos a pessoa é impelida de forma indesejável a ter comportamentos que possam aliviar sua ansiedade, como verificar frequentemente e compulsivamente a fechadura, eletrodomésticos (se estão ligados ou não), verificar se um ente querido está seguro, criar rituais de contagem, repetição de palavras, passar tempo indefinido em atividades relacionadas à limpeza (sem que haja qualquer controle de seu comportamento), práticas religiosas excessivas, acumular objetos sem a real percepção de sua necessidade, entre outros rituais.

Os sintomas podem ser gradativos e incapacitantes, portanto, seu curso geralmente é crônico e o sujeito deve buscar ajuda profissional para o tratamento e alívio de sintomas. O tratamento bem orientado pode trazer diversos benefícios a qualidade de vida do paciente e sua intervenção satisfatória. Em alguns casos, a intervenção medicamentosa se faz necessário para o alivio da ansiedade, concomitantemente com a psicoterapia. 


Esta animação retrata de maneira interessante o comportamento repetitivo e compulsivo. É possível observar de forma clara algumas características do TOC.






*O texto é apenas informativo e não substitui o atendimento psicoterápico oferecido pelo psicólogo. 

Para mais informações acesse:




terça-feira, 3 de março de 2015

Agressividade

a agressividade faz parte da vida psiquica, porem em excesso e nao controlada pode trazer prejuizos
A agressividade faz parte da constituição da vida psíquica de todo indivíduo e necessária para a autoconservação, porque está intimamente ligada à ação que possibilita ao ser humano o posicionamento em determinada circunstância. Porém, quando ela é excessiva e não controlada pode ser destrutiva causando problemas nas relações pessoais e profissionais.

Frente às dificuldades em lidar com suas emoções, medos, e angústias, algumas pessoas acabam apresentando comportamentos agressivos e violentos como forma de resposta para seus sentimentos. 

A agressividade é um impulso que pode ser projetado ao outro ou direcionado ao próprio indivíduo (autoagressão) através de comportamentos violentos. Ela pode estar relacionada com o pensamento, imaginação ou de ação verbal e não verbal. Ao contrário do que se pensa, a agressividade pode manifestar-se de outras formas além da verbal ou do comportamento, seja através da ironia ou até pela omissão de ajuda.

Algumas pessoas podem apresentar episódios de agressividade (comportamentos violentos) recorrente, pois não conseguem controlar seus impulsos e adotam tal comportamento como resposta de suas emoções e sentimentos, causando medo, raiva e posteriormente a culpa.

Diante do sofrimento que tanto o indivíduo pode sofrer ou o sofrimento que pode causar no outro, a psicoterapia pode ser um alicerce ao sujeito a compreender seu comportamento agressivo, ampliando sua consciência e assim, a possível modificação da sua forma de lidar com seus impulsos e sentimentos. 

*O texto é apenas informativo e não substitui o atendimento psicoterápico oferecido pelo psicólogo. Para maiores informações, acesse: www.saopaulopsicologia.com.br



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A dependência da dor: Dependência Química

   Em consequência da ruptura da família, do individualismo crescente e a competição feroz em uma sociedade em contínua transformação, o ser humano é empurrado para uma crise existencial cada vez mais frequente em função da solidão. As contínuas mudanças na sociedade moderna alteram o nível de angústia, ampliadas pela insegurança e solidão do indivíduo. 

O aumento dos casos de depressão, vazio, tédio e solidão são também frutos de um consumo capitalista que promete preencher o vazio do sujeito e satisfazê-lo.
Diante de tal sofrimento particular e individual, aprendemos a procurar formas e objetos de prazer como um escape para os sentimentos de falta. Em diversas situações, a droga é utilizada como um objeto de prazer que promove a possibilidade de escape da falta e da angústia. Mas devido ao uso contínuo, a droga passa de objeto de prazer para apenas o objeto de necessidade que te convoca a ser saciado cada vez mais.  

Freud (1930/1986), ao discutir sobre os vícios em geral, informa que é impossível enfrentar a realidade o tempo todo sem um mecanismo de fuga, seja através da fantasia e embriaguez. No caso do uso abusivo de drogas, o sujeito não consegue lidar com o que lhe rodeia e de alguma forma procura mecanismos que o façam se desprender do que lhe angustia causando tolerância à droga, e consequentemente sua dependência.

 Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a dependência química é definida por “um padrão de uso de substâncias psicotrópicas que está causando danos à saúde”. (OMS, 1993)

De acordo com o CID 10, alguns critérios são necessários para a identificação da dependência química, como:

- a compulsão para o consumo, no qual o sujeito apresenta um desejo incontrolável de consumir a droga
- aumento da tolerância: o sujeito necessita cada vez mais de doses crescentes de uma determinada substância para alcançar os efeitos originalmente obtidos com doses mais baixas. 
- síndrome de abstinência: quando o consumo de substâncias psicotrópicas cessa ou é reduzido, ocorre o surgimento de sinais e sintomas de intensidade variável e dolorosa. 
- para aliviar ou evitar a abstinência ocorre o aumento do consumo.
- o consumo da substância torna-se prioridade. 
- estreitamento ou empobrecimento do repertório.
- persistência no uso da substância.

A droga faz com que a pessoa evite o desprazer e se torna imprescindível para o alivio do mal estar. 

Os métodos de tratamento para a dependência química abrangem diversas intervenções, como a psicoterapia, intervenções medicamentosas, aconselhamento individual e familiar, entre outras propostas de tratamento. É importante ressaltar, que o tratamento realizado por uma equipe multidisciplinar pode trazer uma nova possibilidade de ressignificação para a vida do paciente, considerando sua história e singularidade.
A psicoterapia pode ser fundamental para a recuperação do dependente químico, pois o profissional pode auxiliar o sujeito a lidar com o seu sofrimento emocional, e propiciar ao paciente apoio, fortalecimento de seus recursos, o espaço de reflexão sobre si mesmo e desvendar novas possibilidades e caminhos para suas dificuldades. 

A droga se apresenta como um sintoma de outras questões sociais, e o trabalho de analise é um caminho longo e tortuoso não se tratando apenas de eliminar o sintoma, e sim de se reordenar dentro ele.   


*O texto é apenas informativo e não substitui o atendimento psicoterápico oferecido pelo psicólogo.